O que é a pimenta e de onde ela vem?

Quem aí não dispensa uma boa pimenta para dar aquele sabor especial a alguma receita?

A iguaria, que pode ser encontrada no Brasil em diversos tipos, caiu no gosto da maioria do povo e seu sabor ardente é reconhecido principalmente nas comidas típicas do norte e nordeste, além de fazer sucesso ao redor do mundo.

Mas você sabe de onde é que vêm as pimentas? E qual a sua história?

Bom. Vou te contar, nas próximas linhas, um pouquinho sobre ela e algumas curiosidades também, para te deixar ainda mais apaixonado por essa delícia!

Origem

As pimentas são frutos das plantas que fazem parte do gênero conhecido como Capsicum, que pertence à família Solanaceae. Dentro disso, há uma grande variedade de tipos e espécies de pimenta.

Só pra você ter uma ideia, atualmente, no mundo todo, há quase 30 espécies de pimenta catalogadas, vindas da América Central e da América do Sul.

História

Só em meados do século XVI, as pimentas foram levadas para a Ásia e para a África, onde começou o cultivo em grande escala.

Logo, ela chegou também a países como a Índia, a China, a Coréia e as Filipinas, e é apreciada até hoje pelo povo de cada região.

Nos Estados Unidos, no entanto, as pimentas são cultivadas desde o século XVII. Mas o tempo não diminui sua fama: elas são cada vez mais apreciadas por lá.

Os principais tipos de pimenta

O brasileiro é um dos principais consumidores de pimenta do mundo! Utilizadas em doces, geleias e até em drinques, elas vêm ganhando cada vez mais o gosto e a preferência do público.

E, claro, há aquelas preferidas. Ou pelo sabor ou pela adequação a determinado clima ou receita. Aqui, separei os 7 tipos de pimenta mais consumidos no mundo todo.

Vamos ver quais delas você conhece:

  1. Pimenta-rosa

Apesar do perfume forte, essa pimenta não arde. Por isso, é muito utilizada na finalização e enfeite de pratos. É a semente da aroeira, árvore típica da Mata Atlântica.

Grau picante: 0

  1. Pimenta-de-bode

Quem já visitou Goiânia, certamente já encontrou essa pimenta por lá. Normalmente, ela aparece em conserva ou marinada em azeites e vinagres, para amenizar seu sabor picante.

Grau picante: 8

  1. Ají amarelo

Com sabor frutado, essa pimenta é encontrada em pasta, pó ou conserva, além de ser muito utilizada na culinária peruana.

Grau picante: 8

  1. Tabasco

Popular por ser utilizada em molhos prontos, a pimenta tabasco é muito utilizada como tempero, para saladas, vegetais e peixes.

Grau picante: 8

  1. Cumari

Muito comum na região Sudeste, a cumari costuma ir para a panela ainda verde, em molhos e cozidos. Mas pode ser utilizada também já madura.

Grau picante: 8

  1. Dedo-de-moça

Essa é uma das pimentas mais populares do Brasil. É a famosa pimenta calabresa, que recebe esse nome depois de seca e picada. Cai bem em saladas e cozidos. Madura, é utilizada também na produção de geleias de abacaxi e maçã, para acompanhar carnes e churrascos.

Grau picante: 6

  1. Malagueta

Muito comum na culinária baiana, essa pimenta é original da Zona da Mata. Pode ser encontrada também em pratos típicos da culinária tailandesa.

Grau picante: 9

E aí, conhece todas as pimentas? Qual a sua preferida?

Quais os principais benefícios da pimenta para o organismo?

Engana-se, no entanto, quem pensa que a pimenta é só um complemento de sabor a pratos e receitas típicas.

O fruto oferece diversos benefícios para a saúde e o organismo, sendo conhecida principalmente pelo seu efeito antioxidante.

É que as pimentas do gênero Capsicum (malagueta, dedo-de-moça, jalapeño, cumari-do-pará, de cheiro, por exemplo) possuem substâncias que auxiliam na prevenção de doenças como diabetes, câncer e até cardíacas. Os antioxidantes são importantes também por combaterem o envelhecimento precoce.

Dessa quase ninguém sabia, né?

Mas não é só isso. As pimentas podem ser grandes aliadas da nossa saúde e eu vou te contar por que:

– Facilitam a digestão

A ingestão da pimenta aumenta a salivação e a secreção gástrica. Isso potencializa a produção de enzimas e de suco gástrico, facilitando, assim, a digestão.

– Acelera o metabolismo

O consumo de pimenta eleva a temperatura do nosso organismo e, consequentemente, aumenta o nosso gasto calórico. Ou seja: acelera o metabolismo;

– Ajuda a emagrecer

Isso mesmo! A pimenta vermelha pode ser uma grande aliada no emagrecimento. Isso porque ela estimula o sistema nervoso, gerando aumento da liberação de catecolaminas, noradrenalina e adrenalina, substâncias que diminuem o apetite

– Controle do colesterol

As pimentas também ajudam a controlar os níveis de colesterol bom (LDL) e dos triglicerídeos, auxiliando a manutenção da pressão arterial.

– Combate a diabete

A capsaicina aumenta as taxas de insulina do organismo e reduz o nível de glicose sanguínea.

– Atua no sistema circulatório

Isso porque suas vitaminas A, C, e algumas do complexo B, além do potássio e do cálcio, a tornam uma grande aliada para o sistema circulatório. Além disso, suas substâncias interferem na formação de coágulos e aumentam o calibre dos vasos sanguíneos, diminuindo chances de um ataque cardíaco ou de um acidente vascular cerebral (AVC).

– Afasta a depressão e alivia a dor

A presença de adrenalina e noradrenalina melhora o ânimo de pessoas que tenham depressão. Além disso, a capsaicina atua em dores de cabeça, mucosite oral, alergia cutânea e tumor de pele.

– Anti-inflamatória

E lá vem ela de novo: a capsaicina possui grande ação anti-inflamatória.

Vale saber

Alguns especialistas indicam o consumo diário de seis pimentas dedo-de-moça ou de meia pimenta malagueta por dia, para atingir as taxas necessárias de capsaicina no organismo.

Outras propriedades da pimenta

Além de todos esses benefícios para a nossa saúde, a pimenta apresenta também, em sua composição, vitaminas A, C e E, capazes de combater os radicais livres, necessários para o nosso organismo.

Algumas pimentas contêm também princípios ativos, como a capsaicina e a piperina.

  • Piperina é um composto orgânico, presente na pimenta preta (Piperis Nigrium). Um de seus benefícios é a sua capacidade de bloquear a formação de novas células adiposas e reduzir o nível de gordura no sangue.
  • Capsaicina é um composto químico presente nas pimentas chili, pertencentes ao gênero Capsicum.

O ardor, característico da maioria das pimentas, se dá devido a presença da capsaicina. Quanto maior o ardor, mais capsaicina tem e maior também será sua ação no organismo.

É característico também das pimentas chili, a sua eficiência na prevenção do câncer, devido à grande quantidade de bioflavonoides, pigmentos vegetais capazes de precaver a doença.

Mas lembre-se:

Apesar de todos esses benefícios, se você tem úlcera ou gastrite, precisa evitar o consumo das pimentas. Uma pequena dose pode ser capaz de irritar ainda mais seu estômago e trazer problemas mais graves, posteriormente.

Em qual situação a pimenta pode fazer mal?

Em linhas gerais, assim como muitos alimentos, quando consumidos de forma exagerada ou excessiva, a pimenta também pode trazer alguns problemas.

O consumo em excesso pode causar, por exemplo, irritações estomacais e azia. Além disso, pode causar também feridas na boca e incomodo nos olhos e nariz.

Para aqueles que tenham gastrite ou úlcera, o consumo da pimenta deve ser reduzido ou até suspenso, conforme recomendação médica ou nutricional.

Lembre-se:
Nada em exagero faz bem para o nosso corpo e nosso organismo. Portanto, consuma a pimenta de forma moderada, para não sofrer com as consequências depois.

Qual é a pimenta mais forte do mundo?

Dá pra imaginar qual a pimenta mais forte do mundo?

De acordo com a escala Scoville, criada em 1912 pelo farmacêutico Wilbur Scoville, dá para ter certeza. A SHU (Escala Scoville) mede o grau de ardência ou pungência das pimentas, possibilitando assim, saber qual a mais forte de todas elas.

De acordo com a medição, a eleita mais quente do mundo é a famosa pimenta Carolina Reaper. Nascida nos Estados Unidos, a iguaria foi criada em estufa por Ed “Smokin” Currie que dirige PuckerButt Pepper Company em Fort Mill, Carolina do Sul.

Em 2013, a Carolina Reaper ganhou seu título oficial no Guinness World Records, quando mediu em 1.569 milhões de unidades na escala Scoville.

Desde então, o posto de rainha mundial das pimentas tem sido ocupado por ela.

Ranking das Pimentas

Mas não pense que a Carolina Reaper está sozinha não! Embora seja a mais forte no pódio de pimentas poderosas, outras especiarias também possuem um alto teor de ardência, constituindo o ranking das pimentas mais fortes do mundo:

1º Trinidad Scorpion, Butch T

Pungência (SHU): 1.107.000

É preciso usar luvas para manipulá-la, de tão forte. É muito utilizada como matéria-prima para molhos e gás de pimenta.

2º Bhut Jolokia

Pungência (SHU): 1.001.000

Conhecida como pimenta-fantasma, ela pertence à família das nagas, nativas da Índia e de Bangladesh.

3º 7 Pot Barrackpore

Pungência (SHU): 987.000

Reultado do cruzamento entre híbridos, a Barrackpore é originária de uma cidade da Índia, enquanto a pimenta 7 Pot vem de Trinidad e Tobago.

4º Moruga Laranja

Pungência (SHU): 981.000

Seu formato lembra um pimentão vermelho retorcido. Também de Trinidad e Tobago, é usada industrialmente para fazer pós superpicantes.

5º Moruga Vermelha

Pungência (SHU): 952.000

Parente da versão laranja, ela também é moída e transformada em pó, utilizada como tempero para molhos e cozidos. É uma das pimentas mais populares no no Haiti.

  • Para ter uma referência do teor de ardência das pimentas TOP 5, selecionei, abaixo, algumas pimentas populares e seus graus de pungência.

Confira!

  1. Malagueta

Pungência (SHU): De 60.000 a 100.000

  1. Tabasco

Pungência (SHU): De 30.000 a 50.000

  1. Pimenta-de-cheiro

Pungência (SHU): De 10.000 a 50.000

  1. Dedo-de-Moça

Pungência (SHU): De 5.000 a 15.000

  1. Jalapeño

Pungência (SHU): De 2.500 a 5.000

  1. Biquinho

Pungência (SHU): 1.000

O que são os molhos de pimenta?

Além de complementar alguma receita e deixar um sabor especial, as pimentas também são muito utilizadas na confecção de molhos. Na Europa, por exemplo, ele já são conhecidos há séculos,

De vários tipos e sabores, alguns levam tomate e pimenta apenas. Outros, são incrementados, com temperos, ervas e até cerveja.

O molho de pimenta é muito usado na Europa há muitos séculos. Aqui no Brasil ele ficou popular quando os colonizadores portugueses trouxeram a iguaria e ela logo se popularizou por aqui.

Quais os principais molhos de pimenta?

Normalmente, as pimentas mais utilizadas para molhos são a dedo-de-moça, a malagueta e a biquinho. Mas o mercado não se restringe a apenas alguns sabores. Os molhos existentes hoje são para todos os gostos, desde os menos até os mais picantes, misturados com alho e cebola, com cerveja e ervas, com várias pimentas diferentes e com sabores variados também.

Entre os tradicionais, os principais e mais conhecidos molhos são:

  • molho de pimenta caseiro
  • molho de pimenta cremoso
  • molho de pimenta dedo-de-moça
  • molho de pimenta vermelha
  • molho de pimenta malagueta
  • molho de pimenta dedo-de-moça com extrato de tomate

Já na turma dos mais elaborados, encontramos receitas de:

  • molho de pimenta com limão
  • molho de pimenta com Whiskey
  • molho de pimenta com cerveja
  • molho de pimenta com especiarias
  • molho de pimenta defumado

Conheça os molhos Chef N’Boss

Os molhos de pimenta Chef N’Boss entram nessa lista dos mais elaborados, com ingredientes especiais e sabores diferenciados.

Em uma parceria com a Cerveja Backer, foram criados três tipos de molho de pimenta: a Pele Vermelha, com sabor laranja; a Bravo, com sabor bacon; e a Exterminador de Trigo, com sabor ervas.

Além dessas opções, há também o Salsa Argentina, um molho de pimenta do reino verde, combinada com chimichurri.

Como usar pimenta e molhos de pimenta na gastronomia?

pimenta tiposA pimenta vai bem na maioria das receitas, conferindo mais sabor e harmonia ao prato. No entanto, é preciso se atentar: a quantidade e o tipo da pimenta utilizada em cada receita, é fundamental para não errar na mão e deixar tudo picante demais.

E, para te ajudar, fiz uma seleção das 5 pimentas mais usadas para cozinhar. Vamos lá?

  1. Pimenta-do-reino

É uma das mais utilizadas pela maioria dos cozinheiros mas no mundo todo. Seu sabor incrementa qualquer prato, sem deixar picante ou “ardido” demais.

No entanto, ela não deve ser utilizada em grandes quantidades. Por ser moída (em pó), sua aderência é maior em qualquer receita.

  1. Pimenta-dedo-de-moça

Indicada como tempero de saladas, ela é mais suave e pode ser encontrada de várias formas: líquida, moída, conserva ou desidratada.

  1. Pimenta japaleño

De origem mexicana, a japaleño é consumida fresca. Quando seca, ela é defumada e fica conhecida como chipotle.

  1. Pimenta chilli

Também de origem mexicana, essa pimenta é extremamente picante e, por isso, deve ser usada com muito cuidado. É fácil encontra-la em pratos de sopas e molhos cremosos.

  1. Pimenta malagueta

Bem ardida, a malagueta é usada no preparo de outros tipos de pimenta para auxiliar no gosto. Ela é encontrada também nos molhos de feijoada, pratos baianos e carnes.

Molho de pimenta

Para as pessoas que não gostam muito do ardido da pimenta, os molhos entram como coringa! Seu sabor é mais fraco, ideal para dar apenas um gostinho leve ao prato.

Como já contei acima, existem diversos tipos de molho de pimenta que caem bem em qualquer situação. E são também ótimas opções para quem tem “medo” de se iniciar no universo das pimentas.

Conclusão

O sabor dita o sucesso de qualquer receita. E, sem sobra de dúvidas, a pimenta é um dos principais ingredientes para temperar e dar um toque a mais nos pratos.

Para paladares aguçados (ou nem tanto), além de ser uma iguaria que realça sabores, sabemos que a pimenta é também uma importante aliada à saúde, funcionando como antioxidante e agindo na prevenção do câncer.

Portanto, inseri-la na alimentação diária, na dose certa, pode ser um coringa, cheio de benefícios e sabores sem igual.